Bolsas asiáticas recuam comalta do petróleo e dos rendimentos dos títulos

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Os mercados acionários asiáticos operavammajoritariamente em queda nesta segunda-feira, enquanto os preços do petróleovoltavam a subir diante das dúvidas sobre uma trégua próxima entre EstadosUnidos e Irã. O movimento manteve pressão sobre os títulos antes de uma semanacarregada de indicadores econômicos importantes. O Brent avançava paraaproximadamente US$ 107 por barril, enquanto os investidores avaliavamsimultaneamente os riscos inflacionários, as perspectivas para os juros e aresistência demonstrada pela atividade econômica global.

Durante o fim de semana, o presidenteamericano Donald Trump rejeitou uma proposta iraniana para reabrir o Estreitode Ormuz. Trump afirmou que as conversas continuariam durante esta semana,enquanto o Irã não demonstrava intenção de flexibilizar suas propostas. Aausência de uma solução imediata voltou a alimentar preocupações relacionadasao fornecimento energético e aos efeitos dos preços elevados sobre a inflação.

Os futuros do Brent subiam 2,7%, para US$107,16 por barril, ampliando os ganhos acumulados no mês para quase 18%. Osfuturos do petróleo americano avançavam 1,9%, para US$ 94,16.

Diesel em níveis recordes aumenta preocupações inflacionárias

Além da valorização do petróleo bruto, alimitada capacidade de refino contribuiu para elevar os preços do diesel amáximas históricas, muito acima dos preços do próprio petróleo. Essa diferençaaumenta o risco de que a inflação se torne incorporada às decisões de preços esalários.

Os bancos centrais vêm respondendo comuma sequência de aumentos das taxas de juros. O Reserve Bank of Australiaaparece como possível próximo banco central a apertar sua política monetáriaquando se reunir na terça-feira.

Nos Estados Unidos, os mercados atribuíamuma probabilidade de 68% a um segundo aumento consecutivo dos juros peloFederal Reserve em outubro. Aproximadamente 90 pontos-base de aperto estavamprecificados até o final do próximo ano.

Essas expectativas permanecem dependentesda evolução dos dados econômicos e das decisões das autoridades monetárias. Oavanço dos preços da energia adiciona outra variável à avaliação porque podemanter as pressões inflacionárias elevadas durante mais tempo.

Economia forte continua oferecendo suporte às ações

Ao mesmo tempo em que os rendimentos dostítulos sobem, uma sequência de indicadores econômicos americanos fortessustentou expectativas favoráveis para os lucros corporativos. Essa combinaçãoajudou a manter os mercados acionários relativamente próximos de níveisrecordes apesar da pressão exercida pelos juros.

A estimativa GDPNow do Federal Reserve deAtlanta projetava crescimento de 5% para o trimestre atual. A atividadeeconômica também mostrou força na Ásia e na Europa, beneficiada em parte pelocrescimento dos investimentos relacionados à inteligência artificial.

Bruce Kasman, economista-chefe doJPMorgan, afirmou que a expansão global parece ter entrado em uma fase de forçaamplamente distribuída, algo raramente observado nas últimas duas décadas.

Segundo Kasman, diante do crescimentorobusto e da percepção crescente de resistência aos preços elevados da energia,não surpreende que os juros estejam subindo enquanto os preços das açõespermanecem próximos de recordes.

Para ele, um aspecto particularmenterelevante dos movimentos recentes é a extensão das expectativas de taxas depolítica monetária mais altas para muito além do próximo ano.

Nikkei fica estável enquanto Coreia do Sul recua

No Japão, o Nikkei ficou praticamenteestável. O mercado acionário sul-coreano, caracterizado pela volatilidaderecente, caiu 2%. O índice MSCI mais amplo de ações da região Ásia-Pacífico,excluindo o Japão, recuou 0,6%.

As ações chinesas também ficaram sobpressão. As blue chips da China caíram 1,9%, atingindo o menor nível em um ano.

O setor tecnológico chinês foi afetadodepois que um grupo de parlamentares americanos apresentou, na sexta-feira, umaproposta legislativa destinada a impedir o governo federal de equipar sistemasgovernamentais sensíveis com componentes fabricados na China e utilizados paratransmissão de dados em centros de dados de inteligência artificial.

Dados econômicos chineses acrescentaramoutro elemento de pressão. O crescimento dos lucros industriais desacelerounovamente em agosto, já que a força observada no setor tecnológico foi superadapela persistente fraqueza da demanda doméstica.

Futuros americanos recuam enquanto Europa avança

Nos Estados Unidos, os futuros do S&P500 recuavam 0,3%, enquanto os futuros do Nasdaq caíam 0,7%. Os movimentosindicavam uma abertura mais fraca para Wall Street caso fossem mantidos.

Na Europa, o comportamento era diferente.Os futuros do EURO STOXX 50 avançavam 0,3%, enquanto os contratos futuros doDAX ganhavam 0,2%. Os futuros do FTSE também registravam alta de 0,2%.

A divergência entre os mercados mostravaque a reação ao ambiente de petróleo mais caro e rendimentos maiores não erauniforme. Os investidores continuavam equilibrando preocupações com inflação epolítica monetária contra sinais de crescimento econômico resistente eexpectativas de resultados corporativos.

O cenário dos títulos, entretanto,mostrava uma pressão mais clara associada à perspectiva de juros elevados porum período prolongado.

Rendimentos dos Treasuries se aproximam de máximas históricasrecentes

Os rendimentos dos títulos do Tesouroamericano de 30 anos avançaram para 5,5173%, próximos do nível mais alto desde2004. Somente durante setembro, esses rendimentos haviam subido 27 pontos-base.

Na parte mais curta da curva, o movimentofoi ainda mais acentuado. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos avançaram55 pontos-base no mês, refletindo expectativas de novos aumentos das taxas peloFederal Reserve.

Mark Cabana, estrategista de juros doBank of America, afirmou que ainda existe espaço para novas vendas de títulos àmedida que os mercados precificam uma taxa dos Fed Funds mais elevada por maistempo.

Segundo Cabana, essa reprecificação podecontinuar até que existam evidências claras de que as condições financeiras setornaram suficientemente restritivas.

O aumento dos rendimentos tem implicaçõesque ultrapassam o mercado de títulos americano. Ele eleva os custos definanciamento globalmente em um momento no qual empresas de tecnologia estãotomando bilhões emprestados para financiar sua expansão em inteligênciaartificial.

Rendimentos maiores também aumentam ataxa de desconto aplicada aos lucros corporativos, criando outro fator queinvestidores precisam considerar na avaliação das ações.

Semana terá inflação, PIB, indústria e empregos nos EUA

O calendário econômico americano estáparticularmente carregado nesta semana. Os investidores acompanharãoindicadores relacionados à inflação, ao Produto Interno Bruto, à atividadeindustrial e ao mercado de trabalho.

O relatório de empregos de setembro,previsto para sexta-feira, será uma das principais divulgações. A expectativacitada no material é de criação de 85 mil vagas, enquanto a taxa de desempregodeve permanecer em 4,1%.

Também existe alguma possibilidade de ataxa de desemprego recuar para 4%. Essas projeções representam expectativasantes da publicação dos números e não resultados confirmados.

Os dados ganharam importância porque umasequência recente de indicadores positivos já contribuiu para elevar asexpectativas sobre a economia e sobre a trajetória dos juros.

Com o mercado precificando umaprobabilidade de 68% de outra alta do Federal Reserve em outubro, novos númerosfortes poderão continuar influenciando as expectativas para a políticamonetária.

Dólar alcança máxima de dois meses

A recente sequência de dados econômicospositivos também fortaleceu o dólar. O índice da moeda americana atingiumáximas de dois meses, chegando a 101,39.

O euro era negociado a US$ 1,1383 eacumulava queda de 2% durante setembro. O dólar avançava 0,3% contra o iene,para 157,75 ienes.

A moeda japonesa havia registrado algumfortalecimento na sexta-feira, depois que a ministra das Finanças do Japão,Satsuki Katayama, afirmou que Trump havia manifestado preocupação com afraqueza do iene.

A libra esterlina permanecia pouco acimade suas mínimas de três meses, cotada a US$ 1,3240. A moeda britânica haviarecebido algum suporte de comentários mais duros sobre juros feitos pelogovernador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey.

Ouro cai enquanto rendimentos continuam avançando

Nos mercados de commodities, o ourotambém sentiu os efeitos do aumento dos rendimentos. O metal, que não oferecerendimento, recuava 2,2%, para US$ 4.192 por onça.

A queda acumulada do ouro durante o mêsjá superava 4%, acompanhando o avanço dos rendimentos dos títulos. O movimentoreforça a importância das expectativas de juros para ativos que não oferecempagamentos periódicos.

Enquanto isso, o petróleo permanecia nocentro das preocupações inflacionárias. O Brent perto de US$ 107 e a fortevalorização acumulada em setembro mantinham o mercado atento à possibilidade deque custos elevados de energia permaneçam por mais tempo.

A rejeição da proposta iraniana por Trumpreduziu as expectativas de uma solução rápida para a questão do Estreito deOrmuz, embora o presidente americano tenha indicado que as conversascontinuariam nesta semana.

Mercados equilibram crescimento forte e juros mais altos

O início da semana apresentou um quadrodividido para os investidores. De um lado, a atividade econômica continuademonstrando força nos Estados Unidos, na Ásia e na Europa, enquanto osinvestimentos em inteligência artificial oferecem suporte adicional aocrescimento.

Do outro, petróleo e diesel mais carosmantêm as preocupações inflacionárias elevadas, contribuindo para expectativasde novas altas dos juros e pressionando os mercados de títulos.

Essa combinação ajuda a explicar por queas ações permanecem relativamente resistentes mesmo com rendimentossignificativamente maiores. Os sinais positivos para crescimento e lucroscorporativos oferecem suporte, enquanto taxas mais altas aumentam custos definanciamento e reduzem o valor presente dos resultados futuros das empresas.

Na Ásia, o equilíbrio pendeu para o ladonegativo nesta segunda-feira, com a maioria dos principais mercados recuando.Os investidores agora aguardam os indicadores americanos desta semana paraavaliar se a força recente da economia continuará justificando expectativas dejuros mais elevados por mais tempo.

O relatório de empregos de sexta-feiraserá uma peça importante desse conjunto de informações, ao lado dos dados deinflação, PIB e indústria. Até lá, os movimentos do petróleo, dos rendimentos eas perspectivas para as negociações entre Estados Unidos e Irã continuam entreos principais fatores acompanhados pelos mercados globais.

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