Urânio se mantém perto de US$ 90 após preocupações com a oferta

O preço do urânio permanece próximo de US$ 90 por libra depois de uma forte valorização iniciada no segundo semestre de 2025 e de um pico acima de US$ 100 no início de 2026. Após recuar desse nível, a commodity entrou em um período de consolidação entre aproximadamente US$ 85 e US$ 90 por libra.
Os dados citados pela TSCS e pela Trading Economics mostram que o urânio era negociado abaixo de US$ 70 por libra durante parte de 2025. O avanço ganhou força no fim daquele ano, levando os preços acima de US$ 100 antes de uma correção para cerca de US$ 86,60.
O mercado agora concentra sua atenção nas condições de oferta. A Kazatomprom, do Cazaquistão, reduziu em 10% sua projeção de produção para 2026. A companhia também indicou que dificilmente venderá volumes relevantes no mercado à vista nas condições atuais. Como o Cazaquistão é o maior exportador mundial de urânio, qualquer redução em sua produção pode ter consequências importantes para a disponibilidade global do combustível nuclear.
Preço consolida após a alta do início de 2026
O movimento do urânio desde 2025 mostra três fases distintas. Primeiro, a commodity saiu de uma faixa próxima ou inferior a US$ 70 por libra. Depois, acelerou até ultrapassar US$ 100 no início de 2026. Por fim, sofreu uma forte correção e encontrou suporte na região entre US$ 85 e US$ 90.
O preço de aproximadamente US$ 86,60 indica que o mercado ainda preserva uma parte relevante da valorização registrada desde os níveis de 2025. A rejeição acima de US$ 100 mostra, porém, que os compradores não conseguiram sustentar os preços nessa região. Desde então, o mercado tem operado de forma mais lateral.
A faixa de US$ 85 funciona atualmente como uma referência importante. Enquanto o preço permanecer acima desse nível, a estrutura sugere que a alta anterior não foi completamente anulada.
Corte da Kazatomprom reforça preocupações
A Kazatomprom reduziu sua projeção de produção para 2026 em 10%. Essa revisão tem peso porque o Cazaquistão representa uma parcela significativa da produção mundial. Uma queda na oferta do maior exportador pode apertar ainda mais um mercado que já acompanha possíveis déficits futuros.
A empresa também afirmou que não deve vender grandes quantidades de urânio no mercado à vista sob as condições atuais. Essa postura pode limitar a oferta disponível para compradores que precisam adquirir material fora dos contratos de longo prazo. Quando um grande produtor reduz a produção esperada e evita aumentar as vendas à vista, os preços tendem a receber suporte, principalmente se a demanda permanecer firme.
Oferta continua sendo o principal tema
O mercado de urânio depende fortemente da relação entre a produção disponível e as necessidades das usinas nucleares. A TSCS apresentou uma projeção de aumento das exigências de combustível para reatores até 2040. O volume estimado alcançaria aproximadamente 43.569 toneladas, enquanto a produção das minas permaneceria abaixo da demanda prevista. Essa diferença sugere um possível déficit estrutural.
A demanda projetada inclui reatores existentes, novas unidades que entrarão em operação e expansões planejadas da capacidade nuclear. Do lado da oferta, entram a produção das minas atuais, novos projetos e volumes adicionais que possam ser desenvolvidos. O risco está no fato de que os novos reatores e a expansão das usinas podem elevar a demanda mais rapidamente do que a capacidade das mineradoras de aumentar a produção.
Compras das utilities estão abaixo da reposição
Outro ponto importante é o comportamento das empresas de energia, frequentemente chamadas de utilities. Segundo a TSCS, essas companhias compraram urânio abaixo da taxa de reposição durante vários anos. Isso significa que o volume adquirido não acompanhou completamente o material consumido pelos reatores.
Esse padrão pode funcionar por algum tempo quando as empresas possuem estoques suficientes ou contratos antigos. No longo prazo, porém, elas precisam voltar ao mercado para repor o combustível utilizado. Se várias utilities aumentarem as compras ao mesmo tempo, a demanda por contratos pode subir rapidamente. Essa possibilidade ajuda a sustentar a expectativa de preços mais firmes, mesmo quando o mercado à vista passa por períodos de consolidação.
Contratos de longo prazo ganham importância
O mercado do urânio não depende apenas das negociações à vista. Grande parte do combustível é comprada por meio de contratos de longo prazo entre produtores e empresas de energia. Esses acordos oferecem maior previsibilidade de preço e volume para os dois lados.
A TSCS afirma que os limites superiores dos preços contratuais estão muito acima dos níveis observados um ano antes. Essa evolução indica que compradores e vendedores estão aceitando faixas mais elevadas para os contratos futuros. O preço à vista pode apresentar movimentos rápidos, mas os contratos de longo prazo ajudam a mostrar como o setor avalia a oferta e a demanda durante vários anos. Uma alta nos preços contratuais pode incentivar novas minas, mas esses projetos normalmente exigem longos períodos de desenvolvimento e investimentos elevados.
Demanda nuclear sustenta a visão de longo prazo
As projeções até 2040 incorporam reatores já operacionais, novas unidades e capacidade futura planejada. Esse crescimento amplia a necessidade de combustível nuclear. Ao contrário de algumas commodities, o urânio possui uma base de consumidores relativamente especializada. A demanda vem principalmente das usinas nucleares que precisam manter seus reatores em operação.
As utilities também não podem substituir o combustível rapidamente por outra fonte dentro do mesmo reator. Essa característica torna a segurança de abastecimento especialmente importante. As empresas podem aceitar contratos mais longos e preços mais altos para reduzir o risco de falta de material.
O suporte em US$ 85 permanece relevante
A região de US$ 85 por libra passou a funcionar como suporte depois da correção do início de 2026. O mercado recuou fortemente após superar US$ 100, mas não retornou aos níveis próximos de US$ 70 registrados em 2025. Essa estabilidade sugere que os compradores ainda encontram valor na faixa atual, especialmente diante das preocupações com a oferta.
Uma perda duradoura de US$ 85 poderia enfraquecer a estrutura e abrir espaço para uma correção mais ampla. Por outro lado, uma recuperação acima de US$ 90 poderia reabrir o caminho para uma nova tentativa de avanço, embora o pico acima de US$ 100 continue sendo uma resistência importante.
Menor volatilidade pode marcar o curto prazo
Desde a correção do início de 2026, os movimentos de preço se tornaram menos extremos. A consolidação ao redor de US$ 86,60 indica que o mercado está tentando equilibrar a oferta restrita com a falta de um novo catalisador imediato. Essa redução da volatilidade não significa que os riscos desapareceram.
Uma nova revisão de produção, um contrato relevante ou uma mudança nas projeções de demanda poderia provocar outra movimentação forte. O mercado continua sensível porque a oferta está concentrada e os projetos de mineração levam tempo para responder aos preços.
Principais riscos para o mercado
O primeiro risco é que a demanda futura cresça menos do que o previsto. Atrasos em novos reatores ou mudanças nos planos nucleares poderiam reduzir as necessidades de combustível. O segundo é uma recuperação mais rápida da oferta. Novas minas ou uma revisão positiva da produção poderiam aliviar as preocupações.
O terceiro envolve a capacidade das utilities de utilizar estoques existentes por mais tempo, adiando novas compras. Também existe o risco de o preço permanecer limitado caso os contratos de longo prazo não se traduzam em maior demanda no mercado à vista. Por outro lado, novos cortes de produção ou compras mais agressivas das empresas de energia poderiam aumentar a pressão sobre a oferta.
O que investidores e traders devem acompanhar
O primeiro fator será a execução da nova projeção da Kazatomprom. O mercado precisará confirmar se a redução de 10% realmente se materializa. O segundo será o volume vendido no mercado à vista pelo Cazaquistão e por outros grandes produtores. O terceiro será a atividade contratual das utilities. Novos acordos com preços mais elevados reforçariam a tese de oferta apertada.
Também será importante acompanhar o ritmo de entrada de novos reatores e a expansão da capacidade nuclear até 2040. Por fim, o comportamento do preço entre US$ 85 e US$ 90 mostrará se a consolidação continua ou se um novo movimento direcional está começando.
Conclusão
O urânio permanece próximo de US$ 90 por libra depois de uma forte alta e de uma correção no início de 2026. O preço encontrou suporte na região de US$ 85, enquanto o mercado avalia o corte de 10% na projeção da Kazatomprom e a possibilidade de um déficit de oferta no longo prazo. As compras abaixo da taxa de reposição pelas utilities e a alta dos preços contratuais também reforçam a importância da demanda futura.
O mercado de urânio continua sustentado por preocupações estruturais com a oferta, mas o preço precisa romper a atual consolidação para confirmar uma nova tendência. Enquanto a faixa de US$ 85 permanecer intacta, o cenário de longo prazo segue apoiado pela expansão nuclear e pela disponibilidade limitada de produção.

